Existe necessidade de se compreender melhor o contorno e a funcionalidade do chamado “domo de poluição”. Entende-se por este termo o aparelho natural formado pela emissão de gases e particulados que ascendem para a troposfera, em certo nível de altura. Eles produzem uma ampla abóbada que se esgarça do centro para setores da periferia. Em São Paulo, as emissões ascensionais produzidas pelo mundo urba-industrial se iniciam pela pluma do distrito petroquímico de Cubatão, entram pelo planalto adentro, envergadamente, somando-se aos fluxos de emissões do ABC e, mais adiante, ajuntando-se à imensa massa de gases do centro expandido da cidade de São Paulo. O conjunto todo indo de encontro às encostas florestadas da Serra da Cantareira.
Os ventos assimétricos provenientes do mar – Leste e Sudeste – são os responsáveis principais pela penetração de umidade e envergamento do domo de poluição paulistano. Mas, por outro lado, no verão chuvoso – em janeiro e fevereiro -- através de nuvens carregadas de umidade e geradoras de grandes “chuvadas” – as grandes pancadas de chuva que afetam principalmente as zonas Sul, Norte Leste e Nordeste da cidade, ainda que comportando fortes variações espaciais – ocorre o assentamento e a limpeza dos gases e particulados do domo de poluição.
Essas grandes precipitações, acompanhadas de vibrantes trovoadas, distribuem-se em pontos nodais variáveis – sob a forma de nuvens negras e “bigornas” ocasionais – ocasionam grandes problemas de inundações e impactos na funcionalidade da cidade.
Mas, em compensação, são capazes de desmanchar temporariamente o domo de poluição regional que se adensou entre os períodos de maior chuva. No conjunto do planalto algumas massas de nuvens negras em forma de “bigorna” acontecem de forma semi-pontual – anunciando os grandes “torós”, conforme expressão popular dos paulistanos – enquanto o domo de poluição é de uma amplitude regional mais extensa. |